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Notícia

Discurso de Jorge Henrique - 03/12/2009

discuro

Leia o Discurso feito pelo Professor de Matemática, paraninfo da turma, Jorge Henrique Gualandi, na Missa de Formatura do 3ª ano do Ensino Médio.

 

 

Discurso de paraninfo proferido aos formandos
do terceiro CREI 2009

Sr. Diretor, prezados professores, prezados pais, prezados formandos. Peço licença para dirigir-me diretamente aos sujeitos deste evento, que são os próprios alunos.

Antes de mais nada gostaria de agradecer aos formandos pelo convite para ser paraninfo da turma. Foi com uma alegria muito grande que recebi o convite de vocês.

Confesso que olho pra vocês, formados, com uma mistura de sentimentos como os de um professor, pai, colega e amigo. Os sentimentos de um professor, que fica contente ao ver que o seu esforço de comunicar algum ensinamento aos seus alunos produziu frutos. Os sentimentos de um pai, com sua mistura de ansiedade e satisfação, que vê seu filho tornar-se adulto e independente, capaz de tomar seu próprio rumo na vida. Os de um amigo que fica feliz  pelas conquistas dos amigos.

Conforme me ensinaram, o discurso do paraninfo representa a última aula. Para corresponder à consideração por vocês e à imensa honra que me é delegada, o ideal seria que eu pudesse nestas últimas duas ou três semanas ter desenvolvido alguma obra revolucionária para o conhecimento científico e fazer do presente discurso o prefácio desta obra. Mas, numa Matemática que soa definitivo que dois mais dois são quatro, quem sou eu para ser mais que eu e mudar, com o trabalho de algumas semanas, máximas desta ordem? Mesmo assim, quero aqui vislumbrar um curto prefácio para uma grande obra a ser acabada. Vamos combinar o seguinte:

Eu faço o prefácio, agora.

Vocês fazem a obra, a partir de agora.

(E olha que vocês têm como prazo a vida toda pela frente e, portanto, não há por que reclamar ou querer "melar").

Quero vocês empreendedores, ousados e determinados. Mas também sensatos, interpessoais, éticos e responsáveis com o meio ambiente e a sociedade. Que vocês tenham a sabedoria de ignorar o que não leva a nada e a ignorância de desejar saber para onde vamos.

Uma solenidade como esta marca tanto o fim de um caminhar como o começo de uma nova caminhada. Vendo nesta perspectiva, é uma forma de despedida que, com a atitude adequada, fica sendo uma porta entre dois mundos: o que foi e o que virá.

Quanto ao que virá, ignoramos. E ainda bem, porque eis aqui uma instância em que a ignorância é um fator de felicidade. Talvez, quando Almir Klink se pôs num barco a remar para oeste e atravessar o Atlântico, se ele tivesse um GPS teria se desmotivado ou estressado pelas idas e vindas e círculos improdutivos que constituíram sua rota. O importante na vida não é que ela seja determinável de antemão e sem surpresas, mas que seja construída passo a passo como uma conquista. Se olharmos numa perspectiva histórica, com o olhar do depois, poderemos reconhecer padrões. Porém, o entrelaçar das experiências vividas no trabalho, no ócio, no dia-a-dia, nas relações com o mundo, com os outros e consigo mesmo, vai se constituindo como uma armadilha e como um ritual de libertação. Armadilha no sentido de que vivemos tamanhas atribulações, quando sempre existiu a opção ou a tentação de deixar tudo de lado e, por exemplo, viver na praia ouvir músicas, dormir e tantas outras coisas . Vocês ficaram presos a estas tribulações em troca de um ideal e de objetivos bem delineados.

Quanto ao que foi, é simples: acabou. Claro que o que acaba aqui desfaz-se em lembranças e estigmas mas perfaz-se em cada nuance, em cada visão, em cada sentido, em cada relação com o mundo e com as pessoas. A palavra "eu", para cada um de vocês, agora passa a ter o peso destes anos juntos e leva a marca das relações estabelecidas.

Quanto ao que há de adeus nesta solenidade, cada um de vocês pense que estaremos aqui, ali, em todo lugar, e desligue o resto.

Pense que o adeus é igual ao até logo, e desligue o resto.

“É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho de realizar escrupulosamente nossas fantasias, sonhos, acredite neles”.Assim dizia Lênin. Mas, o que temos feito para realizar nossos sonhos? Permita-me contar-lhes uma pequena estória: “em um certo lugar distante existia uma cidade e próximo dela residia um sábio muito famoso por seus conselhos e conhecimentos. Residia, porém na cidade uma menina muito sagaz, que na sua sabedoria adolescente resolveu desafiar o sábio. Disse ela aos seus companheiros de folguedos: ‘Vou vencer o famoso sábio. Levarei uma pequena borboleta em minha mão e perguntarei ao sábio: ‘Sábio, a borboleta em minha mão está viva ou morta?’ Se ele me responder: ‘Está viva!’ Eu a esmagarei em minha mão. E se ele disser: ‘Está morta!’ Eu abrirei minha mão e a borboleta voará invicta e ele terá errado! E se pôs a menina em direção à casa do sábio. Lá chegando, perguntou-lhe: ‘Sábio, a borboleta em minha mão está viva ou morta?’ E ele, fitando a menina e com toda sua sabedoria respondeu: ‘A resposta está em suas mãos’”.

 

Colegas professores, senhores pais , queridos alunos e demais presentes, a mudança do que está imposto depende unicamente do posicionamento de cada um de nós como membros ativos da sociedade. E, se não julgarem pretensão minha, reflitam sobre essa pequena estória. E lembre-se, a solução pode estar em sua mão!
(Obrigado!)

 

                Jorge Henrique Gualandi

 

 

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